Nos últimos meses, um dado chamou atenção em Foz do Iguaçu: os incêndios em edificações aumentaram de forma significativa. Em janeiro deste ano, os registros cresceram quase 30% em relação ao mesmo período do ano passado. Para o Corpo de Bombeiros, esse número não é apenas uma estatística. Ele representa um alerta. Na maioria das vezes, o problema começa dentro da própria rotina das pessoas, em detalhes que parecem inofensivos.
O principal vilão continua sendo a parte elétrica. Instalações antigas, sobrecarregadas ou adaptadas sem orientação técnica são um risco silencioso. Tomadas cheias de benjamins, extensões em cascata, aparelhos ligados ao mesmo tempo… tudo isso aquece os fios e pode provocar curtos-circuitos.
Muitos sinais aparecem antes do incêndio acontecer: cheiro de queimado, tomadas quentes, disjuntor caindo toda hora, faíscas. Ignorar esses avisos é como fechar os olhos para um problema que só tende a crescer.
Outro ponto importante são as mudanças feitas depois que o imóvel já está pronto. Reformas, ampliações, novos equipamentos e adaptações sem avaliação profissional alteram a carga elétrica e comprometem a segurança da edificação. O que antes funcionava bem, passa a operar no limite. Nas construções mais antigas, o cuidado precisa ser ainda maior.
Além disso, novas tecnologias também trazem novos desafios. A recarga de veículos elétricos em garagens, por exemplo, ainda carece de regras mais claras em muitas cidades. Um incêndio nesse tipo de equipamento é mais difícil de controlar e exige atenção redobrada. O mesmo vale para sistemas de energia solar instalados sem projeto adequado.
Dentro de casa, alguns cuidados simples fazem toda a diferença. Nunca jogue água em óleo quente na cozinha. Mantenha o botijão de gás em local ventilado. Não improvise instalações elétricas. E, em caso de fogo em equipamentos energizados, nunca use água.
A boa notícia é que a prevenção funciona. Campanhas educativas, orientação técnica e informação de qualidade reduzem riscos. E é exatamente esse o caminho que o Corpo de Bombeiros tem seguido: atuar antes que o incêndio aconteça.
Depois de tragédias como a da Boate Kiss, o Brasil aprendeu que segurança não pode ser tratada como detalhe. Ela precisa fazer parte da rotina.
Mais do que números, esse aumento nos incêndios é um convite à reflexão. Como estamos cuidando da nossa casa? Do nosso trabalho? Do nosso prédio?
Prevenção não é medo.
É responsabilidade.
É cuidado com a vida.
E começa dentro da nossa CASA.





